quarta-feira, 23 de julho de 2008

O nosso pior medo...

Ter medo do escuro é um medo muito comum.
O que é que nos pode acontecer na ausência de luz? É esta a questão que se põe. A ela vêm associadas coisas do nosso imaginário colectivo, e uma quantidade de possibilidades que acreditamos sejam reais. Pode haver monstros, bichos, fantasmas, ladrões, ou até podemos ter medo de morrer. A morte é outro dos medos que nos avassalam e que está associada a um outro: o medo do desconhecido e do que não se controla. Há depois os medos que nos impedem de fazer determinado tipo de coisas. E as fobias que são medos gigantes e incontroláveis. Resumindo, temos medo de tudo aquilo que nos faça sofrer e que represente qualquer tipo de ameaça. Temos medo da doença, das agulhas, das pessoas e até mesmo do amor, e da possibilidade de sermos felizes. Isto remete-me para aquele que considero ser o pior medo de todos: o medo de viver.
Há coisas que são garantidas, logo à partida, quando nascemos. Vamos morrer, vamos pagar impostos e contas, vamos ter muitas alegrias e sofrer. Viver, para mim, significa tirar o melhor partido desta viagem. Significa crescer, experimentar, aprender, trabalhar, conhecer, apaixonar-me e amar. Não considero ser possível viver sem amar. Amar pessoas, coisas, locais, histórias e sobretudo aquele alguém que nos faz borboletas no estômago.
De quê que se tem medo no amor?
Óbvio, de nos magoarmos. E como é que não nos magoamos? Não sei! Não é não amando certamente.
O que é que fazemos?
Criamos carapaças, armaduras que nos impedem de dizer o que sentimos, o que pensamos e o que pensamos sobre o que sentimos, porque temos medo do que o outro vai pensar e de como vai usar a informação. Pensamos cuidadosamente sobre o que sentimos, porque temos medo de sentir,e de ficar dependentes, racionalizando e pensando em todos os pormenores. Temos medo de ser naturais e que a outra pessoa descubra o que de facto somos, com todos os nossos defeitos, desinteresses, e aquele ar estranho com que acordamos de manhã. Hello!!!! Ninguém acorda penteado e maqueado, isso é só nas telenovelas. Temos medo do que o outro pensará sobre o nosso corpo, ou sobre a nossa performance na cama. Será que gostou?? Será que não?? Pensamos cuidadosamente no que dizemos ao outro de forma a que haja várias possibilidades de resposta de acordo com a reacção do interlocutor. Temos medo de tocar, de olhar para o outro com todas as suas infinitas possibilidades, porque temos medo de como vai reagir ou ou não vai agir. Enquanto vivemos ocupados e preocupados com todos estes cenários, não vivemos, e muito dificilmente vamos ser amados na proporção da expectativa criada. Para além de tudo isto, há o medo da perda. Ficamos assustados com a possibilidade de perder e vêmos todos os(as) amigos(os) dos nossos mais que tudo como potenciais ameaças, e queremos conhecer e saber tudo e participar em tudo, precipitando as coisas para o fim. Fujimos de tudo o que é diferente, independente, porque não sabemos com lidar e temos medo de nos magoar. Nem sempre dizemos a verdade, porque temos medo da reacção,mesmo sabendo que a mentira nunca resulta e que provavelmente vai piorar as coisas.
Amar é sinónimo de dar, de aceitar o outro como é, dar espaço para que duas identidades existam e cresçam.
Alguém me disse uma vez: os medos são etapas do crescimento das pessoas. Servem para nos alertarem dos perigos mas não nos podem impedir de fazer coisas. É tipico de seres inteligentes terem medo, pois prospectivam as possibilidades de acontecimentos, mas esses seres inteligentes também criam uma espiral de justificações para manterem os medos.
Prometo dizer o que penso, mas sobretudo dizer o que sinto, fazer o que me apetecer, mesmo que isso implique que a pessoa a quem se destina os afectos se afaste. Prometo ser verdadeira, sobretudo comigo, porque quero viver, independentemente dos medos.

Greatings

NSAS

4 comentários:

no way jose disse...

ei ei tu começaste c o blog em força!
texto profundo, cheio mas cheio de verdades.. admiro quem escreve e escreve sem medo de saber q alguem vai ler o q foi escrito. Sem medo! Só por isso tens os meus parabéns ;)

Maria Judite disse...

ja tinha percebido o quanto es inteligente mas.....possa Susana...deixas a pensar o mais insensível e burro dos seres humanos (ou talvez não, pois concerteza não atingem a dimensão da tua mensagem.
Devias escrever um livro muito sinceramente.
Parabéeeeeennnnnnsssssssss.
Só queria um décimo dos teus neurónios

Cátia disse...

Todos temos medos, uns mais vincados do que outros. Surgem sempre associados a experiências de vida, têm um sentido protector. Por outro lado, inibem, bloqueiam o processo de racionalização,não percebemos porque reagimos de determinadas formas. Acho que ele nem é positivo, nem negativo. Os medos mudam ao longo do tempo. Existem sempre! São importante para a nossa sobrevivência. Temos que aprender a conviver com eles, a controlá-los ou a deixar-nos controlar por eles. É sempre uma opção, na maioria dos casos. Tenho muitos medos, uns pequeninos, outros mais crescidos e uma fobia looll (será só uma??)mas muitas vezes acho que "o nosso pior medo..." é o medo de ter medo!
E o que fazer? Dessensibilização Sistemática?? Lololl
Beijinho Su, parabéns pelo teu blog

Scoop disse...

Medos???Tema complicado e assustador, de uma forma estupida, para uma grande parte das pessoas. Parabens Susana pela forma como abordas este tema...Tocas nas feridas. Temos vergonha de demonstrar que temos medos, usando permanentemente a carapaça para darmos uma imagem de fortes...Já fui assim e era muito menos feliz...Devemos ser autenticos e não ter medo de ter medo...especialmente de Amar, de Sentir e, acima de tudo, de Viver a Vida o mais intensamente possivel...Agora penso assim...sem medo dos meus medos...